Aumento da Selic não afetará os negócios na TecnoTêxtil Brasil 2013, diz diretor da FCEM – Feiras e Congressos

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu na quarta-feira (17/04/13) elevar a taxa Selic para 7,50% a.a., sem viés. Foram seis votos favoráveis à elevação. Dois membros do comitê votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a.
De acordo com nota publicada no site do BC, o comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária. Ainda de acordo com a nota, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela.

FCEM
“O aumento da Selic não afetará os negócios na TecnoTêxtil Brasil 2013. O empresário está otimista e precisa atualizar seu parque produtivo com máquinas rápidas, inovadoras e econômicas”, declara Hélvio Roberto Pompeo Madeira Junior, diretor da FCEM – Feiras e Congressos, empresa 100% brasileira, que está no mercado há 20 anos e especializada na organização de feiras e eventos como Agreste Tex”, em Caruaru (PE); “Tecnotêxtil Brasil”, em São Paulo (SP); “Maquintex”, “Femicc Nordeste” e “Signs Nordeste”, em Fortaleza (CE); e “Febratex”, em Blumenau (SC).

 

ABIMAQ
A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) afirma que o impacto da nova taxa Selic trará mais efeitos psicológico do que concretos nas operações da indústria de máquinas e equipamentos. A tendência é que o aumento dos juros básicos da economia resulte em menos disposição de investidores em aplicar seus recursos na compra de equipamentos ou na expansão da produção.

De acordo com a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), duas taxas de juros têm relevância de fato estratégicas: a que incide sobre o capital de giro e aquela aplicada nos financiamentos para compra de máquinas, o chamado PSI (Programa de Sustentação do Investimento).

A Abimaq afirma que a taxa de juros cobrada nos financiamentos para capital de giro no Brasil oscila entre 30% e 40% ao ano. “A mudança de 0,25 ponto percentual na Selic não vai mudar essa situação”, diz.

Para os financiamentos atrelados ao PSI, a situação é muito vantajosa. Os juros para os compradores de máquinas e equipamentos é de 3% ao ano. Até julho, a taxa vai subir para 3,5%, mas ainda assim baixa.

CNI
De acordo com os presidente da CNI, os investimentos da indústria devem crescer 4% neste ano na comparação com 2012. A expectativa da Confederação, no final do ano passado, era de que o investimento crescesse 7% ante 2012, mas a taxa foi revista para baixo no final do primeiro trimestre.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI)  reconhece a importância do controle da inflação, mas lamenta que  ao elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual o Copom tenha optado pelo caminho de combate à alta inflacionária com maiores danos à atividade produtiva. A indústria mostra desempenho abaixo do esperado no início do ano, dando continuidade à situação negativa do fim de 2012.

Segundo a  CNI,  o aumento dos juros é extremamente prejudicial à indústria, setor de maior capacidade de recuperação e de melhor contribuição para o crescimento da economia,  mas que já vem sendo atingido por custos crescentes.  Para a entidade,  o novo ciclo de alta dos juros iniciado na quarta-feira irá afetar  a confiança do empresário e comprometer os investimentos, cuja elevação considera essencial para reativar a economia.

A CNI avalia que uma política econômica baseada em aumento dos gastos públicos e alta dos juros tem pouco impacto nas pressões inflacionárias.  Diagnostica que tais pressões estão concentradas  nos preços dos alimentos e nos preços dos serviços, estes últimos não influenciados pela concorrência internacional e, portanto, estimulados pela demanda parcialmente aquecida.  A entidade alerta ainda para uma outra grave consequência da alta dos juros, a  valorização cambial, devido à maior atração do dólar pelo  juro mais elevado. “O resultado dessa combinação de políticas gera o pior cenário, que é inflação alta e crescimento mínimo”, conclui a CNI.

CNDL
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) acreditam que apesar de o aumento na taxa básica de juros ter sido pequeno  poderia ter sido postergada para o próximo mês, caso o governo adotasse medidas de austeridade para reduzir os gastos públicos.

Na avaliação do presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, neste momento o governo brasileiro deveria fazer um sacrifício político e enxugar as despesas públicas para controlar a inflação. “Aumentar os juros é um remédio que deve ser usado somente em último caso, porque tem efeitos colaterais amargos: reduz o consumo, diminui os investimentos e piora a situação das famílias endividadas. É um sinal de que o governo não quer fazer seu dever de casa”, disse Pellizzaro Junior.

O líder do movimento varejista disse ainda que os preços dos alimentos iniciaram um movimento de queda nas primeiras semanas de abril, o que mostra que a inflação já recuava sem a necessidade de mexer nos juros. “Os números mostram que o custo de vida das famílias diminuiu no começo de abril. Além disso, o atentado em Boston, associado aos números chineses, fez o preço das commodities passar por um resfriamento. Acredito que inflação recuaria automaticamente e a decisão de aumentar a Selic poderia ter sido postergada”, avalia Pellizzaro Junior.

FECOMÉRCIO
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) entende que a medida do órgão regulador serve para recuperar a confiança do mercado quanto à sua capacidade de controlar a alta nos preços, mas acredita que as autoridades econômicas poderiam ter cogitado outro caminho para lidar com a questão, como a retomada dos investimentos públicos, direcionamento de gastos e mudanças nas metas de inflação para números mais realistas.

O BC é responsável por preservar a estabilidade da moeda brasileira e está apto a tomar as decisões que julga melhor. No entanto, o aumento neste momento pode ser um obstáculo para a retomada do ritmo de crescimento do País, pois os juros não exercem influência em itens que tem causado as pressões inflacionárias, como no caso dos alimentos e serviços. A medida também torna-se um foco do mercado neste momento porque houve desaceleração no desenvolvimento da economia brasileira em fevereiro e essa mudança poderia trazer uma retração ainda maior na atividade interna.

 

SEM EFEITO
A alta de 0,25% na taxa básica de juros  não fará nenhuma diferença nos preços e não deve frear o consumo, analisa o economista e professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite. Para ele, a ação foi um alerta do Banco Central, que deve ter efeito sobre a expectativa do mercado. “A inflação já esteve nesse patamar antes e ninguém reclamava, porque naquela época os juros eram mais altos”, lembra Leite.Para o economista, ainda não há informações suficientes para garantir que a trajetória da inflação é ascendente. “As medidas adotadas nos últimos meses em relação aos estímulos dos investimentos e às desonerações tributárias ainda não surtiram os efeitos esperados”, avalia.

“Precisamos aguardar a reação do mercado, pois acredito que essa medida, embora cause impacto no estímulo à poupança, não reduzirá por si só a perspectiva de manutenção da inflação. Se os índices continuarem subindo, certamente o Copom voltará a elevar a taxa para desestimular o consumo e aumentar a poupança”, explica Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina – FASM. “O que se espera do governo são mudanças de médio e longo prazos. Ações por tempo muito curto geram desconfiança e causam preocupação ao empresariado”, afirma Gonçalves.

TECNOTÊXTIL BRASIL 2013
::: De 15 a 18 de abril de 2013 – das 14 às 21h
::: Local: Expo Center Norte – Pavilhão Azul
::: Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo – SP

Foto : Tecnotêxtil Brasil 2013 – Feira de Tecnologias para Indústria Têxtil | Fabia Nunes