Com suporte do Brazilian Leather, projeto de incentivo às exportações de couros e peles, curtumes relatam êxito em 2015

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Em um ano de retração econômica, os curtumes brasileiros, ao invés de focarem-se às queixas, resolveram investir em inovação e buscar novos clientes e mercados, como ilustram os casos de duas empresas do Sul do país. Os curtumes Rusan e OCM/Best Brasil garantem que 2015 foi um ano foi de muito trabalho. O primeiro, com sede na cidade de Lajeado/RS, não só conduziu negociações de novas parcerias, como manteve-se como fornecedor de importantes marcas internacionais. O segundo, localizado no município de Novo Hamburgo/RS, igualmente orgulha-se de ter conservado como cliente brands como Stuart Weitzman.

A grife francesa de bolsas Antoinette Ameska é um dos destaques do Rusan, que em 2015 produziu parte dos couros metalizados empregados pela marca. Em 2015, igualmente estreitou relações comerciais com Wolverine (calçados, EUA) e iniciou tratativas com a também americana Fossil (relógios, bolsas e acessórios). Segundo Camila Koefender, gerente comercial do Rusan, a internacionalização da empresa foi impulsionada pela participação no Preview do Couro, projeto de desenvolvimento de tendências em materiais. A iniciativa é conduzida pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) a partir do Brazilian Leather, programa de estímulo às exportações de couros e peles. Tem também suporte da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal).

Habitualmente lançado no Brasil, o Preview do Couro é apresentado nas principais feiras do segmento coureiro do mundo. “Participamos da edição 2014 do projeto. A pele que confeccionamos foi levada, junto com materiais de outras empresas, para a Première Vision Leather Paris. Assim que os representantes do Brazilian Leather retornaram, nos passaram um formulário de interesse de uma agente estrangeira, que tinha um cliente à procura de uma camurça especial muito similar ao que havíamos desenvolvido. A partir daí já fechamos contrato e passamos a embarcar couros”, relembra.

Camila percebe positivamente a proposta do Preview do Couro. “Trata-se de um projeto que efetivamente estimula a criatividade dos curtumes, desafiando a todos a criarem artigos diferenciados para depois exibi-los ao mundo. A iniciativa dá visibilidade, mostra que somos competitivos, inovadores, o que certamente consolida a imagem dos nossos produtos lá fora”, analisa.

A OCM/Best Brasil, mais um case de sucesso, atribui a outra ação do Brazilian Leather seu êxito com a Stuart Weitzman (calçados e acessórios, EUA). Segundo o diretor, Raul Müller, a marca conheceu seus couros e peles em uma participação do curtume na feira italiana Lineapelle, uma das mais badaladas da Europa. “O fato de o Brazilian Leather apoiar a ida de fornecedores brasileiros a eventos importantes do setor seguramente ajuda. E não me refiro apenas a suporte financeiro, mas à orientação. Com o amparo do projeto, mostramos nosso melhor lá fora, o que acaba atraindo compradores importantes”, diz.

Müller se envaidece do fato de a Stuart Weitzman ter a brasileira Gisele Bündchen como modelo da marca. “Na coleção Inverno 2016, Gisele está calçando sapatos fabricados com couro da OCM/Best Brasil. Se prestar atenção nos anúncios, verá nosso artigo em quase todos os aeroportos do mundo”, alegra-se.

Atualmente o Brazilian Leather possui 104 empresas associadas.

Foto: Divulgação