Abicalçados leva calçadistas gaúchos à Fiergs para rodada de negócios com compradores internacionais

ABICALCADOS

 

Em uma parceria inédita com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) indicou 14 marcas de calçados gaúchas com viés exportador para participar de uma rodada de negócios com compradores internacionais do Equador, Paraguai e Suíça. O evento, denominado Encontro Internacional de Negócios de Moda, aconteceu na última sexta-feira, dia 8, na sede da Fiergs, em Porto Alegre/RS. Participaram do encontro as marcas Anzetutto, Beira Rio, Bibi, Capelli Rossi, Cecconello, Cristófoli, Dakota, West Coast, Cravo & Canela, Guilhermina Shoes, Kildare, Capodarte, Piccadilly e Tabita.

Para Fernando Alano, diretor comercial da Kildare, “o contato com a compradora da Suíça (Tucanexport), que funciona como uma agente para distribuição na Suíça e região, foi positivo”. Segundo ele, a importadora elogiou os produtos e solicitou fotos, especialmente dos calçados mais sofisticados, como os abotinados.

Nathália Brocker, do departamento de exportação da Bibi, destaca o contato realizado com a compradora da Suíça. “Ela explicou que existe uma concorrência muito grande com a China, mas que, como o nosso calçado possui os diferenciais do couro, seria possível justificar um preço mais alto”, conta. Nathália ressalta ainda o fato de a compradora trabalhar com a cadeia de lojas espanhola Corte Inglês, de forte penetração em todo o continente europeu.

Já Roberta Rothen, do departamento de exportação da Guilhermina Shoes, conta com negócios futuros com a JPP Trading, do Equador. Segundo ela, o comprador se mostrou receptivo ao produto e foi muito assertivo na possibilidade de negociação. “Não temos clientes no Equador e será uma grande oportunidade de entrada naquele mercado”, projeta, acrescentando que durante a semana será enviada uma tabela de preços para o importador.

Olho no olho
A gerente de exportação da Capelli Rossi, Juliana Behrend, ressalta a importância desse tipo de evento. “Mesmo que não tenhamos concretizado negócios in loco, o evento foi importante no sentido de promover o encontro com compradores. Nesse tipo de negociação é muito relevante o contato olho no olho, o contato físico e não apenas virtual”, avalia a gerente.

Marca própria
O gerente de exportação da Tabita, Henrique Galhego, participou de reuniões com os compradores do Equador e Paraguai. Para ele, a iniciativa foi importante, pois permitirá a exportação de produtos com marca própria. No Equador, segundo ele, foi aberta a possibilidade de representação da marca, enquanto no Paraguai a perspectiva de exportação direta de produtos com a grife Tabita. “Atualmente já trabalhamos naquele mercado, mas sem marca própria. A possibilidade de exportar o nome e engajar clientela lá é muito relevante”, comenta Galhego.

Nélci Schildt, gerente de exportação da Dakota, destaca que, além do contato, o evento foi importante para gerar conhecimento acerca dos mercados presentes. “A compradora suíça nos forneceu dicas importantes daquele mercado, como características de produtos que poderiam ter um giro melhor. Ela também solicitou amostras de três linhas das cinco que trouxemos”, comemora.

Importadores esperam recuperação
Silvia Benichio de Hermosa, diretora da Gino Ventori, conta que veio ao encontro promovido pela FIERGS em busca de novos contatos. “Os negócios não estão bons no Paraguai. Assim como no Brasil, registramos quedas nas vendas desde 2014. No ano passado, algumas lojas tiveram quedas de 40% no volume de negócios. A nossa queda foi menor, de cerca de 20%, mas ainda assim muito significativa”, aponta a empresária, que possui cinco lojas, quatro em Assunção e uma em Cidade de Leste. Segundo ela, existe a perspectiva de melhoras em 2016, especialmente pela recuperação da economia local.

A compradora da Cristina Graber, da Tucanexport, ressalta que houve uma queda muito grande nas importações de produtos brasileiros a partir da crise de 2009. “Hoje os negócios são esporádicos”, diz, ponderando que agora, com a valorização do dólar existe uma tendência de recuperação, muito embora ainda não se tenha confiança quanto ao patamar cambial. “Esperamos retomar os volumes anteriores com o Brasil”, prevê Cristina.

Buscando botas, mas também aberto a novos produtos com “preços e qualidade competitivos”, o comprador equatoriano, Juan Pablo Penãherrera, destaca os calçados apresentados e a possibilidade de negociações futuras. “A empresa sai muito interessada em efetivar negócios com marcas brasileiras”, conta.