Maratona MUDE aponta maturidade do design brasileiro de calçados

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A Maratona MUDE, evento pioneiro no setor calçadista brasileiro que tem como objetivo resgatar e disseminar a cultura do design autoral no segmento, alcançou a maturidade já na sua segunda edição.

Realizada pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) nos dias 25 e 26 de setembro de 2015, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre/RS, a Maratona MUDE teve como vencedora a equipe que soube alinhar design arrojado e autoral com funcionalidade.

Composta por Miriam Megalhaes, Anderson Soares, José Dilceu dos Santos e Denise Maders, a equipe Rosa desenvolveu três protótipos de calçados femininos nas 24 horas de competição levando em consideração o orgulho de ser brasileiro com uma coleção inspirada na música “Maria, Maria”, de Milton Nascimento. “O objetivo foi mostrar beleza, força e orgulho da mulher brasileira, que mesmo diante das adversidades se mostra batalhadora por uma nova realidade”, explicou Miriam.

A coleção vencedora homenageou três grandes mulheres brasileiras: Tomie Ohtake – artista plástica japonesa que foi naturalizada brasileira e tem o minimalismo como referência; Gisele Bündchen – modelo brasileira símbolo de beleza; e Zica Assis – fundadora do Instituto Beleza Natural e símbolo de coragem e atitude. Cansados e emocionados, os vencedores, que levaram para casa premiação de R$ 20 mil e troféu, agradeceram a oportunidade.

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:: Despertar
Para o mentor da segunda edição da Maratona MUDE, o estilista João Pimenta, a indústria calçadista precisa “acordar para a criatividade”, despertar que tem como aliado eventos como a Maratona MUDE. “Não tenho como expressar o quanto absorvi durante a Maratona. Vou levar o que aprendi aqui para a minha vida”, destacou o estilista. Segundo João, o evento cumpriu com a missão de mostrar a complexidade da produção de um calçado e também a de valorizar não somente o criativo, mas o montador, o funcionário que “coloca a mão na massa” no chão de fábrica. “Meu desejo é que este evento cresça e que tome o País. Precisamos da Maratona MUDE”, discursou Pimenta, ressaltando que todas as equipes foram vencedoras.

O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, ressaltou que a recompensa do evento foi a abnegação das equipes que souberam trabalhar em sincronia e desenvolveram calçados, além de esteticamente bonitos, funcionais. “O calçado desenvolvido pela equipe vencedora levou em consideração aspectos de inovação, aliando-o à questão comercial, de funcionalidade”, avaliou o executivo. Para ele, o grande vencedor da Maratona MUDE foi o setor calçadista, que teve talentos revelados e a cultura do design fortalecida na atividade.

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:: Palestras
Além das 24 horas ininterruptas de competição entre as quatro equipes selecionadas para a Batalha Criativa, o evento contou oficinas criativas e uma maratona de conteúdo no sábado (26/09/2015).

Cláudia Narciso, diretora geral da Arezzo&Co, abriu o circuito de palestras falando sobre sua experiência no mundo da moda e ressaltando a importância da criação de coleções criativas e ao mesmo tempo comerciais. “Precisamos estar comprometidos com o consumidor, conhecer seu life style, fazer com que ele se engaje à marca”, disse. Para Claúdia, trabalhar o produto e cuidar também do visual merchandising, incluindo questões relativas à pesquisa e marketing, é fundamental para o sucesso de qualquer marca. A arquitetura também foi listada como essencial para o negócio. “As lojas da Arezzo que foram reformadas vendem o dobro”, contou.

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Na sequência, a palestra do apresentador do programa GNT Fashion, Caio Braz tratou de storytelling e destacou a importância da simplificação dos processos para uma comunicação eficaz com o público-alvo. Segundo ele, que possui marca homônima voltada ao mercado masculino, o sucesso da empresa está relacionado diretamente à assertividade em uma relação que leve em consideração informação, conteúdo, publicidade e entretenimento. “Estamos redefinindo os papéis na sociedade e isso precisa ser entendido pelas marcas. Vejo grandes grifes voltadas para o público jovem falando o que não queremos ouvir”, apontou o jovem profissional de 28 anos. “O jovem é o centro de influência da sociedade atual e precisa ser ouvido. Ele quer a economia de experiência e não mais o materialismo. A indústria está querendo vender roupas e calçados para quem não quer”, disse. Para Braz, os jovens estão mais conscientes com questões ambientais e sociais e a marca que souber utilizar isso como argumento terá um diferencial.

Braz também ressaltou a importância de estar na internet. “Existem mais celulares do que pessoas no Brasil. Além de importante, estar na internet tem um custo fixo baixo e concede resultados importantes”, disse. O profissional também foi enfático ao tratar da tão disseminada crise econômica pela qual atravessa o Brasil. Segundo ele, a turbulência não pode desestimular o empreendedorismo e sim o contrário. “É um ano difícil, mas é também o momento de arriscar mais, criar algo novo”, aconselhou.

Encerrando a manhã de palestras, a estilista Isabela Capetto ressaltou a importância de uma indústria sustentável e que tenha a paixão pela atividade como força motriz.

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:: Moda
A parte da tarde do sábado foi dedicada à moda e à criatividade. Com palestras de Cristian Resende, diretor do Cartel 011 – plataforma que une cultura e consumo em São Paulo; da renomada estilista Fernanda Yamamoto, que falou sobre aspectos do processo criativo e a importância de o profissional seguir suas verdades e instintos; e da designer gaúcha Helen Rödel, que falou sobre sua marca homônima e a produção artesanal através do crochê. O evento encerrou com um bate-papo entre empreendedores das marcas Ocksa, Ciao Mao e Perky Shoes.

A programação da Maratona contou ainda com mostras de design e o MUDE Talks, iniciativa que trouxe profissionais do Istituto Europeo di Design (IED) para palestras com os participantes.