Último dia de Vancouver Fashion Week 2015

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Durante os seis dias de VFW, passaram pela passarela mais de 80 designers de diferentes nacionalidades, conferindo a Vancouver Fashion Week características de pluralidade cultural, trazendo para seu público a diversidade de estilistas talentosos, que tiveram na semana a chance de apresentarem seus trabalhos.

O último dia (04/10/2015)  foi repleto de destaques. A marca Geumja se inspirou em objetos tradicionais da cultura coreana e apresentou uma coleção de silhuetas de traços simples e minimalistas, numa cartela de cores bastante ampla. Já Andrea Ayala inspirou-se nas obras do pintor Roberto Riviera para criar suas peças, usando uma palheta de cores vivas como rosa, azul ciano, vermelho, amarelo e os tradicionais preto e branco. Os tecidos escolhidos como principais foram: o algodão, organza delicado e os envernizados, modelados em silhuetas refinadas.

Outra marca que também teve como inspiração a fotografia foi Sarah Armstrong que se inspirou no projeto Life Before Death do fotógrafo alemão Walter Schels e sua sócia Beate Lakotta. A coleção explorou o processo de decomposição após a morte. Para recriar esses efeitos, os tecidos escolhidos foram o Denim, Algodão Tencel, e Tyvek.

Seguindo a linha de expor as peculiaridades humanas, a coleção de Eria Lamarque denominada Unfading, demonstrou na passarela da VFW, a essência das pessoas, suas forças e fraquezas. Tudo aquilo que muda na vida de uma mulher, dando destaque a única parte que jamais mudará: sua feminilidade. Característica está representada através de silhuetas fortes e suaves ao mesmo tempo, com texturas sólidas e macias. A cartela de cores escolhida foi bem delicada, apresentando um mix de cores pastéis e branco, com costuras feitas à mão em formas de flores feitas de cristal. Os tecidos mais utilizados foram o Chiffon, Taffeta e Guipiur. O último dia ainda contou com os desfiles de Maiv, MiR, Ivido Jeans, Mu Ce, Molly Elizabeth, Alex S Yu, Evan Clayton, 7Crash e encerrando a VFW o desfile de  Jon Mikeo.

:: BRASILEIROS NA VFW

Lui Iarocheski e Ana Luisa Barros, brasileiros que estiveram na VFW respectivamente nos dias 1 e 2, apresentaram suas coleções pela primeira vez. Lui Iarocheski navegou pelos conceitos encontrados na obra vanguardista de Hélio Oiticica, Parangolés e dela tirou a poética e a experimentação com cores, formas e materiais para a coleção que apresentou em Vancouver. A cartela de cores teve predominância do preto, cinza e branco com projeção de cores luminosas, como o amarelo, o laranja e o bordô. As formas foram amplas e dinâmicas.

Muitas peças da coleção além de serem unissex poderiam ser utilizadas de maneiras diferentes com amarrações e interação com os recortes. Os tecidos usados foram quase todos naturais (100% algodão). “Mas o diferencial ficou para a experimentação que fiz utilizando técnicas de feltragem, aplicação de detalhes em couro de peixe, estampa feita com spray de grafite e um design têxtil confeccionado inteiramente com cordas de algodão tingidas e costuradas umas as outras”, comenta o estilista.

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Ana Luisa levou para a passarela sua coleção inspirada no romance central do livro “A época da Inocência” de Edith Wharton. “Os looks eram o reflexo do desejo e censura; fantasia e realidade; amor e paixão vividos na mente de um homem preso nos costumes de uma sociedade de aparências, perdido em um triângulo amoroso que carrega como fardo durante sua vida”, explica Ana.

A cartela de cores que passeou entre vermelho, rosa, dourado, prata, nude, e azul; as escolhas de tecidos finos como crepes, chiffons, musseline, tule e cetim boclé, e a modelagem que valoriza o corpo feminino entre os shapes,os godês duplos e a fluidez foram o forte da coleção que retratam duas personalidades femininas centrais do filme, May e Ellen, uma doce e inocente, outra segura e destemida, carregando algumas inspirações do final do séc. XIX ditado no livro para os dias atuais.

O produtor da semana Jamal Abdourahman, elogiou a participação dos brasileiros. “Lui e Ana são dois talentos brasileiros e seus desfiles foram recheados de criatividade, inovação, bom gosto e acima de tudo amor no que fazem. Esperamos eles na próxima edição e com certeza as portas da VFW estão abertas para todos os designers e marcas brasileiras que compactuam com essa paixão pela moda”.