De São Paulo a Wall Street: A moda de luxo impulsiona ações e carry trade no Brasil em 2026

Gisela Franck - DFB Digifest - Dragão Fashion Brasil Gisela Franck - DFB Digifest - Dragão Fashion Brasil

O setor de moda e luxo no Brasil segue como um dos mais dinâmicos da economia em 2026, com projeções apontando que o mercado de bens de luxo pode atingir entre R$ 120 bilhões e R$ 130 bilhões ao longo do ano. Esse avanço, impulsionado por maior poder de compra das classes altas, turismo internacional e estratégias de marcas premium, cria uma ponte direta entre as passarelas e os movimentos no mercado financeiro, especialmente na B3 e em operações de carry trade.

O mercado de luxo brasileiro: resiliência em meio a moderação global

Enquanto o crescimento global da indústria da moda se mostra contido em 2026 — com projeções de ritmo moderado e maior sensibilidade ao preço, segundo análises como as da McKinsey e Bain & Company —, o Brasil se destaca na contramão. O país registrou expansão expressiva nos últimos anos e, em 2026, o segmento de luxo continua a se beneficiar de fatores locais: aumento do número de consumidores de alta renda, urbanização acelerada e o efeito do turismo recorde, que injeta divisas e estimula o consumo em flagships e shoppings de São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com análises associadas à busca por “quotex corretora login” no Brasil, cresce também o interesse de investidores em acompanhar tendências setoriais e oportunidades ligadas ao consumo premium e ao varejo de alto padrão.

Categorias como moda, acessórios, joias e itens pessoais representam fatias significativas desse mercado, com ênfase em experiências premium, sustentabilidade e canais digitais. Mesmo com juros ainda elevados e um PIB projetado em torno de 1,8% a 2%, o luxo se mostra resiliente, priorizando valor percebido, identidade de marca e produção local para enfrentar a concorrência de importados.

Ações de moda e varejo na B3: termômetros do consumo premium

Empresas do setor de vestuário, calçados e acessórios listadas na B3 refletem o apetite por consumo discrecional e de alto padrão. Papéis como CEAB3 (C&A Modas), que opera no segmento de moda acessível com toques premium, e AZZA3 (resultado da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, abrangendo marcas como Reserva, Hering, Vans e Schutz), são observados de perto por analistas e investidores. Relatórios recentes destacam o potencial de expansão orgânica, sinergias em fusões e entrada em novas categorias (como vestuário feminino, infantil e chinelos), o que pode agregar valor significativo em cenários de recuperação do consumo.

Outras companhias do varejo de moda e joias também aparecem em análises setoriais, com foco em same-store sales, expansão de lojas e adaptação ao e-commerce. O desempenho dessas ações serve como indicador do humor do consumidor de renda mais alta, especialmente em um contexto onde o carry trade atrai capital estrangeiro para ativos em reais.

Carry trade e fluxos internacionais: o elo com o luxo

O Brasil mantém atratividade para operações de carry trade em 2026, graças a taxas de juros reais elevadas (Selic ainda restritiva no início do ano) e diferencial favorável frente a economias desenvolvidas. Esse ambiente favorece entradas de capital estrangeiro em títulos públicos e, indiretamente, em ações de setores resilientes como o varejo premium.

Segundo análises divulgadas pela quotex corretora, o diferencial de juros continua sendo um dos principais vetores para estratégias de alocação tática em mercados emergentes, especialmente em cenários de maior previsibilidade monetária. O crescimento do luxo contribui para essa dinâmica: maior confiança no consumo de alta renda sinaliza estabilidade macro e atrai investidores institucionais. Eventos globais, como o Brazil Summit do Financial Times em Nova York, discutem o Brasil como destino de investimentos em emergentes, com o setor de moda e luxo aparecendo como exemplo de resiliência.

Além disso, a valorização do real em períodos de carry trade beneficia importadores de marcas internacionais e reforça o ciclo de consumo premium.

2026 traz variáveis adicionais: as eleições presidenciais em outubro introduzem volatilidade potencial em câmbio, taxas e percepção de risco fiscal. O setor de moda enfrenta pressões como competição asiática, impostos de importação e sensibilidade ao preço, mas aposta em produção local, identidade brasileira e inovação para se diferenciar.

No conjunto, a moda de luxo no Brasil não é apenas um reflexo cultural — é um vetor econômico que conecta São Paulo (com eventos como SPFW) a Wall Street e aos fluxos globais de capital.